10.2.11

Vida em cores



Um dia desses recebi da vida um presente, pela janela do meu quarto um beija-flor veio me visitar. Ele entrou ousadamente e parou na torneira mais perto, ali bebeu água. Depois passeou pela casa, como que se estivesse procurando por algo ou alguém. 


Parou perto da cortina, suas asas frenéticas disbribuiam cores e vida. Ele passou por mim, parou na janela e como que dando adeus virou de um lado para outro, olhou e esperou o meu consentimento, então balancei a cabeça e ele se foi.


A minha vida tem sido assim, cheia de cores.  Esse cuidado e carinho de Deus me alegrou e deu um colorido ao dia, que eu não esperava. Vivo assim, sempre surpreendido pelos pequenos gestos da natureza, que são gestos de Deus.


A cor deixada pelo beija-flor, uma mistura de azul escuro, com traços amarelos em movimentos cadenciados tocou os dias seguintes. Eu me lembro das paradas dele  em sua visita pela casa, o som de suas asas e as cores de seu movimento. Para mim cada movimento  tinha uma cor que encheram e enchem a minha casa, a minha vida. 


Depois que ele passou pela minha casa, a natureza de todos ali nunca mais foi a mesma, como que se fosse retirado de cada um a dor de existir. Deu sentido a nossa vida.


Há momentos onde a vida parece ter apenas o preto e o branco e alguns tons de cinza mas há visitas que mudam os tons cinzas trazendo cores infinitas. 


Eu não sou bom com cores, mas eu sei que preciso de mais poesia e vida, afinal a vida é um instante que vivemos para eternidade. 


Sou hoje as cores da transformação, trocando os tons acinzentados causados pela individualidade, egoísmo e vaidade, pelas cores infinitas que representam a harmonia, a paz, esperança e amor.


Penso a vida em cores melhores. 


Penso nas que movimentam a vida.


Vivo cada dia, mesmo que pareça que é o fim.


Vivo um dia e suas cores por vez.


Vivo mais que penso, porque às vezes pensar pode adoecer a alma.


Vivo para pensar que cada cor da vida vale a pena.

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